Final da Caravana
Hoje é o último post do Blog, estou diante de uma página em branco pensando em muitas coisas e num jeito de colocá-las em seus lugares, sem dar extrema importância ou desmerecer cada uma delas.
A Caravana terminou em Caruaru, na cidade perfeita para os dois cenários: um Circo cheio ou vazio.
O Circo só lotou no último dia, na última sessão, o que nos causou uma sensação estranha, de um lado um Circo vazio não parecia combinar com uma cidade como Caruaru, de outro Caruaru não poderia ser melhor para abrigar um certo vazio, sendo uma cidade tão cheia de carinho, vida e Cultura.
Depois de reclamar por causa da falta de público e passar o sábado meio triste, terminei a Caravana agradecida por não ter tido um final tão perfeito assim justamente em Caruaru, afinal, desde o começo sabíamos que a própria Caravana era mesmo essa página em branco e que construiríamos a odisséia pouco a pouco, em garranchos, sem pontuação, misturando tintas e cores, assim como é o nosso estilo.
Tivemos uma grande equipe, que suportou, conviveu, divertiu e ultrapassou obstáculos no melhor estilo “parcour” e, quando digo equipe, quero dizer artistas, produtor, sonoplasta-iluminador, eletricista, capataz, caminhoneiros (e acompanhante).
Todos eles decidiram seguir conosco nessa história imprevisível, todos eles assumiram o risco e fizeram a Caravana, mesmo achando uma idéia “absurda” e corajosa demais.
À toda equipe nosso sincero reconhecimento, sabemos que, sem o comprometimento deles, muito provavelmente o saldo seria negativo.
À Caruaru, obrigada por emprestar sua página em branco e nos ajudar a transformar o fim da Caravana, pincelando a última página com risos, bonequinhos de barro, feiras, amigos e arte…porque é assim que a vida deve ser, em todo o lugar, para todo mundo!
- Show da Dara no niver do Gallo
O poema abaixo estava dentro do museu do Vitalino, achei lindo.
De Vitalino as mãos eram mãos santas
Que modelaram em barro os Nordestinos
E transportaram a dor e os destinos
Para os bonecos, tantas vezes, tantas.
Bonecos mudos, quantas vezes, quantas
Minha alma cega por meus olhos viu
A tua dor meu coração sentiu
No canto triste que inda hoje cantas
Soprou-se ávida num boneco mudo
Que sem falar, assim, dizia tudo
Dos nordestinos, dos destinos seus
Advertência dos que nascem pobres
Pelas mãos rudes que ficaram nobres
Abençoadas pelas mãos de Deus
(autor desconhecido)



















































